L’era dourada das redes sociais já ficou para trás? Entre a avalanche de conteúdos gerados por inteligência artificial (IA) e as estratégias das plataformas para esticar ao máximo o tempo de ecrã, estas ferramentas parecem cada vez mais afastadas daquilo que tinham de verdadeiramente «social».
As redes sociais já não fazem sonhar. De acordo com um estudo de grande escala realizado pela consultora GWI para o Financial Times, com 250 000 adultos em mais de 50 países, o tempo dedicado a estas plataformas atingiu o seu ponto mais alto em 2022 e, desde então, tem vindo a cair de forma consistente.
Em média, os internautas passam agora 2 horas e 20 minutos por dia a fazer scroll, o que representa uma descida de cerca de 10% em dois anos. E quem está a afastar-se mais depressa são precisamente os mais novos, que eram os maiores «viciados» na era TikTok: adolescentes e jovens adultos começam a largar plataformas que, ainda há pouco tempo, consideravam indispensáveis.
Jovens e cansaço digital
Estes dados vão ao encontro de outro inquérito britânico divulgado em junho, segundo o qual 47% dos jovens entre os 16 e os 21 anos preferiam ter crescido num mundo sem Internet. Além disso, 68% disseram sentir-se pior depois de utilizarem redes sociais - um mal-estar tão marcante que 50% dos inquiridos apoiaram a ideia de um «recolher obrigatório digital». Aquilo que antes era visto como um símbolo de liberdade tornou-se, para muitos, um espaço de pressão permanente, comparação constante e exaustão mental.
Este afastamento coincide com uma viragem decisiva: o reforço dos conteúdos gerados por IA, que hoje proliferam na maioria das redes sociais. E tudo indica que a tendência não abranda, à medida que as grandes tecnológicas colocam no mercado cada vez mais geradores de imagens e de vídeos.
Matar tempo
Perante este cenário, é legítimo perguntar se a expressão «rede social» ainda faz sentido, quando a prioridade passou a ser prender a atenção do utilizador - mesmo que isso implique esvaziar a experiência de qualquer substância humana.
Segundo o mesmo estudo, o número de pessoas que usam as redes para manter contacto com familiares e amigos, para se exprimirem ou para conhecerem novas pessoas caiu mais de um quarto desde 2014. Pelo contrário, a percentagem de quem abre estas aplicações quase por impulso, apenas para matar tempo, continua a aumentar.
Ainda é claramente cedo para falar no fim das redes sociais, que continuam a reunir milhares de milhões de utilizadores. No entanto, o modelo dá sinais de desgaste e a sensação geral de saturação não deixa de crescer. Um momento histórico para a Internet?
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